Esporte: Torcida nota 10, cidade única e inglês ruim: a Rio 2016 sob olhar estrangeiro

Torcida nota 10, cidade única e inglês ruim: a Rio 2016 sob olhar estrangeiro



Se a primeira impressão é a que fica, a Olimpíada no Rio de Janeiro, no geral, será bem lembrada por jornalistas e atletas estrangeiros, que vieram ao Brasil para o maior evento esportivo do mundo. Nos últimos dias de competição, o GloboEsporte.com fez uma consulta informal de satisfação, que revelou reclamações pontuais, como roubos na Vila, cheiro ruim e problemas no transporte, mas o somatório final foi positivo. Em comparação com os competidores, a imprensa foi mais crítica, principalmente em alimentação e organização.

No total, foram consultados de forma anônima 100 jornalistas e 80 atletas de todos os continentes, entre os dias 19 e 21 de agosto. Vale ressaltar que a cada cinco competidores, apenas dois, em média, aceitaram responder ao questionário. Em compensação, a imprensa foi quase 100% solícita. O valor de cada item estava separado da seguinte forma: 1 (terrível), 2 (ruim), 3 (regular), 4 (bom) e 5 (excelente).

A consulta abordou os seguintes quesitos: condições da cidade (somente para jornalistas), Vila Olímpica (somente para atletas), transporte, comida, arenas (jornalistas), locais de treinamentos (atletas), segurança, organização em geral e torcida. Além disso, também responderam as perguntas com resposta livre: "o que você mais gostou" e "o que você mais odiou".

Opinião dos atletas

No geral, os atletas avaliaram de forma positiva todas as categorias consultadas. O pior dos itens ficou para a alimentação na Vila Olímpica, em restaurantes internos que ficavam no complexo. Como curiosidade, um dos participantes elogiou justamente a rede de fast food presente - um dos principais locais de concentração e integração na chamada Área Internacional.

Em pontos positivo, eles vibraram com a recepção do público brasileiro. Dois deles, por exemplo, deram nota 10 aos torcedores, sendo que a máxima era cinco. Os locais de treinamento e as provas também foram amplamente elogiadas. E, é claro, vale ressaltar os pontos turísticos: as praias, principalmente Copacabana, e o Cristo Redentor receberam inúmeras citações.

Embora a média da segurança tenha sido positiva, também teve quem reclamou de roubos nos quartos, assim como da equipe de limpeza. Já um atleta se queixou do aroma ruim dos locais de treinamento em Deodoro, enquanto outros criticaram o tempo de demora para chegar aos locais de competição.

Impressões anônimas dos atletas

"Foi legal ver os voluntários fazendo de tudo para ajudar, mesmo que alguns não soubessem bem a nossa língua"

“Em todos os locais que eu fui tinham coisas inacabadas na estrutura. Para uma Olimpíada, era necessário estar pronto seis meses antes”
"A vibração positiva das pessoas foi algo marcante. A cidade do Rio é única"

“Sentimos insegurança dentro da Vila Olímpica. Houve vários relatos de quem teve pertences roubados dos quartos”.

Opinião dos jornalistas

Em comparação com os atletas, os jornalistas foram bem mais críticos. Três quesitos receberam avaliação regular: transporte, comida e organização. Por outro lado, arenas, segurança e torcida foram elogiados em massa. A simpatia dos brasileiros, aliás, foi muito lembrada, assim como a empolgação dos torcedores durante as disputas. A temperatura amena ou o calor do Rio de Janeiro, mesmo durante o inverno, também receberam destaque. Assim como as praias, é claro!

Entre as principais reclamações, as dificuldades na comunicação com brasileiros que não falavam outras línguas, o que dificultava questões pontuais de organização e localização, principalmente no setor de transportes no Centro de Mídia, que fica ao lado do Parque Olímpico e oferece um tipo de "rodoviária particular" para a imprensa se deslocar para todos os pontos de competições, treinamentos e hospedagem. Um dos consultados também citou o “inglês ruim” de alguns brasileiros, que trabalharam no evento.

Falando em transportes, um fato curioso: um dos jornalistas reclamou do ar-condicionado “gelado demais” nos ônibus oficiais. E também teve quem alegou ter tido a bagagem roubada no mesmo serviço de mídia.

Confira abaixo opiniões anônimas de jornalistas
"Voluntários não falavam inglês e não sabiam dar informações"

“Eram diferenças entre ricos e pobres e entre a parte de dentro da Vila para fora da cidade."

“Como negativo, o jeito dos brasileiros em relação aos atletas que competiram contra os atletas de fora. As vaias".

Veja o quadro de avaliação:

Fonte: Globo Esporte
Fotos: REUTERS/Edgard Garrido /Editoria de Arte
Página anterior Próxima página