Esporte: Dos gigantes do vôlei a Isinbayeva: Rio perderia brilho de favoritos sem Rússia

Dos gigantes do vôlei a Isinbayeva: Rio perderia brilho de favoritos sem Rússia



Um veto que, além do efeito moral no combate ao doping no esporte, abre novas perspectivas em disputas tidas como "favas contadas" na Rio 2016. Caso a recomendação do Comitê Executivo da Wada para a exclusão da Rússia seja acatada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), os Jogos Olímpicos perdem uma de suas principais potencias históricas, e modalidades como ginástica artística, nado sincronizado e luta olímpica, seus grandes favoritos. Donos de 79 medalhas em Londres (22 de ouro, 25 de prata e 32 de bronze), os russos contam com superestrelas entre os 339 previstos para a competição no Brasil, e o Globo Esporte listou dez destaques na delegação que corre risco de se tornar a maior ausência das Olimpíadas:

Yelena Isinbayeva - Salto com vara
Principal nome da delegação, a bicampeã olímpica do salto com vara é uma das maiores defensoras da participação dos atletas russos nos Jogos do Rio. Depois de descartar competir sob a bandeira do COI, ela já cogitou até mesmo encerrar a carreira caso o veto seja confirmado. Medalha de ouro em Atenas 2004 e Pequim 2008, e bronze em Londres 2012, a musa é ainda tricampeã do mundo. Recordista mundial, com 5,06m, Yelena detém nove das dez melhores marcas de todos os tempos. Com 4,90m, é dela ainda o melhor salto de 2016 na prova onde o Brasil coloca suas esperanças em Fabiana Murer.

Vôlei
Tetracampeã olímpica e algoz do Brasil na decisão em Londres, a seleção de vôlei masculino sempre chega aos Jogos como uma das grandes favoritas. Por mais que o desempenho no ciclo não tenha sido dos melhores, a ausência dos russos seria uma dor de cabeça a menos para os comandados de Bernardinho. Depois da virada sobre os brasileiros em 2012, a Rússia venceu a Liga Mundial do ano seguinte, mas ficou fora até da fase final nas duas últimas edições e somente em quinto no Campeonato Mundial de 2014. Entre as mulheres, o país também tem quatro ouros olímpicos, só que não vai ao pódio desde 2004, quando bateu as brasileiras em semifinal histórica. No último Grand Prix, as russas ficaram em quarto.

Nado sincronizado
A disputa do nado sincronizado é, provavelmente, a mais impactada com a possível ausência da Rússia. Desde os Jogos de Sydney 2000, as russas levaram todos os ouros possíveis: quatro com duetos e quatro por equipes. Tanto em Londres como no Mundial de Kazan, em 2015, as espanholas ficaram com a prata na competição por duplas e as chinesas entre os times. Tricampeãs olímpicas e donas de 19 ouros em Mundiais, Natalia Ishchenko e Svetlana Romashina são os grandes nomes da delegação.

Ginástica Rítmica
Assim como no nado sincronizado, a Rússia é praticamente imbatível na ginástica rítmica: são 13 medalhas desde 1984, quando a modalidade foi incluída no programa olímpico, com oito ouros, três pratas e dois bronzes. Em Londres, as russas ficaram no lugar mais alto do pódio nas disputas por equipes e individual, com Yevgeniya Kanayeva. No Rio, Yana Kudryavtseva, de 18 anos, que pode fazer sua estreia em Olimpíadas, é o grande nome, com 13 medalhas de ouro em Mundiais. Em caso de ausência, Belarus, prata por equipes há quatro anos, pinta como favorita.

Maria Paseka - Ginástica Artística
As 12 medalhas conquistadas em Londres evidenciam a força do país também na ginástica artística. Apenas a China, que teve o mesmo número total e levou a melhor nos ouros, 5 a 3, ficou na frente no quadro particular da modalidade. Do quinteto classificado para representar a Rússia no Rio 2016 entre as mulheres, Maria Paseka é o destaque. Aos 20 anos, ela fez parte do time medalha de prata em Londres e é a atual campeã mundial no salto, prova em que levou o bronze no Reino Unido. A norte-coreana Hong Un-Jong e a americana Simone Biles seriam as principais "beneficiadas" com sua ausência. A equipe russa classificada para os Jogos do Rio conta ainda com Angelina Melnikova, Aliya Mustafina, Daria Spiridonova e Seda Tutkhalyan. Entre os homens, o destaque é Denis Ablyazin, prata no salto e bronze no solo há quatro anos.

Ivan Ukhov - Salto em altura
Ao lado de Natalya Antyukh, dos 400m com barreiras, é um dos campeões olímpicos de Londres não citados em escândalo de doping que resultou na punição para os russos do atletismo já pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF). Bicampeão europeu e campeão mundial indoor em 2010, o saltador chegaria ao Rio com o prestígio do ouro de 2012, mas precisando se recuperar da participação decepcionante no Mundial de Pequim, no ano passado, quando foi somente 24º. Dois anos antes, em Moscou, ele ficou na quarta colocação.

Roman Vlasov - Luta olímpica
Destaque da dominante equipe russa na luta olímpico. Em Londres, foram 11 pódios: quatro ouros, duas pratas e cinco bronzes. Aos 25 anos, Roman Vlasov é o atual campeão mundial na categoria até 75kg e venceu ainda uma Universidade e um Europeu no ciclo olímpico, além de um vice no Campeonato do Mundo de 2013. Na decisão da edição do ano passado, em Las Vegas, sua vítima foi o dinamarquês Mark Madsen. É pupilo do consagrado treinador Victor Kuznetsov, mentor do tricampeão olímpico Alexandr Karelin.

Yuliya Yefimova - Natação
As dez medalhas em campeonatos mundiais são suficientes para mensurar a importância de Yuliya Yefimova no nado peito na atualidade. Campeã dos 100m em Kazan 2015 e dos 200m em Barcelona 2013, a russa está classificada para as duas provas no Rio 2016. Nos Jogos de Londres 2012, ficou com o bronze nos 200m. Integrante do revezamento 4 x 100m medley, Yefimova esteve também nos Jogos de Pequim 2008. Quarta colocada há quatro anos e vice do mundo no ano passado nos 200m peito, a dinamarquesa Rikke Møller Pedersen é quem tem tudo para se dar bem em caso de ausência da rival.

Vladimir Morozov - Natação
Principal velocista russo, Morozov está classificado para as provas de 50m e 100m livre. Medalha de bronze em Londres no revezamento 4 x 100m, o jovem de 24 anos ficou com a prata nos 50m livre no Mundial de Kazan, no ano passado, atrás do campeão olímpico Florent Manaudou. Em piscina curta, o russo tem uma vitória sobre o francês no currículo: no Mundial de Istambul em 2012, já depois das Olimpíadas. É apontado como um dos grandes nomes em provas de velocidade atualmente.

Sofiya Velikaya - Esgrima
Campeã mundial, Sofiya é a favorita para o ouro no sabre nos Jogos do Rio de Janeiro. Entre conquistas por equipes e individuais, são sete medalhas de ouro em campeonatos do mundo, além da prata nas Olimpíadas de Londres. Na disputa realizada em Moscou, no ano passado, ela superou a francesa Cécilia Berder e subiu no lugar mais alto do pódio também na competição coletiva. Ao todo, são 14 esgrimistas da Rússia classificadas para as Olimpíadas no Brasil.

Fonte: Globo Esporte
Foto: Agência EFE
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