Esporte: Show do ataque e recursos de sobra marcam vitória do Palmeiras; análise

Show do ataque e recursos de sobra marcam vitória do Palmeiras; análise



A palavra chutão causava calafrios nos palmeirenses até março deste ano. O Verdão de Marcelo Oliveira era um time pragmático, que parecia não ter criatividade. A vitória por 2 a 0 sobre o América-MG, nesta terça-feira, na arena alviverde (assista aos melhores momentos acima), foi mais uma prova da revolução causada por Cuca ao assumir a equipe. Após quatro derrotas consecutivas nos seus primeiros quatro jogos, o técnico fez e continua fazendo valer a confiança da diretoria.

O velho buraco no meio-campo deu lugar às triangulações. O ataque com centroavante fixo se transformou em movimentação, velocidade e precisão. Mais uma vez, o time fez a lição de casa sob a batuta não de um homem, mas de um conjunto cujas engrenagens encaixaram perfeitamente. A escalação foi a mesma da vitória sobre o Santa Cruz, no último sábado, e favoreceu o entrosamento.

O diretor do Barcelona, Raul Sanllehí, que foi ao estádio para observar Gabriel Jesus, viu dois gols do atacante que ele pretende levar para a Catalunha. Mas assistiu a uma atuação igualmente impressionante de Róger Guedes, outro garoto de 19 anos, contratado do Criciúma para a disputa do Brasileirão e com vínculo de cinco anos. O Palmeiras enxerga um futuro. E é líder isolado da competição nacional, com 22 pontos.

O resultado modesto não traduz o domínio amplo do Verdão, que terminou a partida com 20 finalizações e 62% de posse de bola. O time foi à linha de fundo em 10 oportunidades, e não permitiu nenhum avanço semelhante do América. Róger Guedes e Gabriel Jesus, donos do setor ofensivo, chutaram a gol quatro vezes, cada um. Só não virou goleada devido a uma grande atuação de João Ricardo, o camisa 1 adversário, que fez pelo menos três defesas difíceis.

O Palmeiras mais uma vez soube ocupar os espaços. Prova disso são os lances que originaram os dois gols. Em ambos, os três componentes do ataque (Guedes, Jesus e Dudu) participam da construção da jogada. Mais uma vez, o que se viu foi o trabalho do treino surtindo efeito no jogo. Cuca não comanda atividades táticas diante dos jornalistas, prefere o mistério, mas é evidente que ensina novas alternativas aos seus comandados a cada semana.

O equilíbrio se manteve após as substituições no segundo tempo. Cuca reativou suas laterais, com Fabiano e Zé Roberto nas vagas de Jean e Egídio, respectivamente, e promoveu a estreia de Vitinho, meia de 18 anos surgido nas categorias de base do clube. Mesmo com a vantagem no placar, os 27.429 torcedores na arena viram um time que não sentou sobre o placar e esperou o relógio rolar. Pelo contrário. Criou, agrediu e agradou.

As campanhas dos últimos campeões provam que não desperdiçar pontos como mandante é fundamental para conquistar o título brasileiro sob pontos corridos. O Palmeiras está cumprindo sua tarefa à risca. Sob o comando de Cuca, atuando na arena, o time venceu todos os sete jogos que lá disputou. Marcou 18 gols e sofreu apenas um – que foi validado incorretamente, já que houve impedimento no lance, na vitória por 3 a 1 sobre o Santa Cruz.

No ano passado, o Palmeiras crescia em jogos grandes e tropeçava em partidas teoricamente mais fáceis. Desta vez, parece imune a essa instabilidade. Atravessou uma série contra Coritiba, Santa Cruz e América-MG sem derrota: conquistou sete de nove pontos e só não levou 100% de aproveitamento devido a um gol irregular do time paranaense, que arrancou empate nos acréscimos do segundo tempo há uma semana.

O Verdão volta a campo contra o Cruzeiro, que também luta na parte de baixo da tabela, no próximo sábado, às 19h (horário de Brasília), no Mineirão.

Fonte: Globo Esporte
Foto: Marcos Ribolli
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