Esporte: Nova Marina contrasta com água suja; obra no esgoto fica pronta este mês

Nova Marina contrasta com água suja; obra no esgoto fica pronta este mês



A Marina da Glória foi apresentada nesta quinta-feira após reforma que durou 14 meses e consumiu R$ 70 milhões da BR Marinas. Tudo novo e pronto para receber os Jogos Olímpicos em agosto. Na água, porém, a sujeira segue sendo um problema. O local por onde boa parte dos barcos sai para as regatas costuma ser o mais criticado pelos atletas da vela. Ao menos a questão do esgoto deverá ser resolvida em breve. De acordo com a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgoto), o desvio das saídas clandestinas está em fase de teste, e a inauguração está prevista ainda para este mês, com cerca de quatro meses de atraso.

Presente na entrega da Marina nesta quinta-feira, o prefeito Eduardo Paes lembrou novamente que a despoluição da Baía de Guanabara é um compromisso do governo estadual. E que, apesar do legado ambiental não ter sido alcançado, a despoluição não é uma preocupação para os Jogos Olímpicos.

- Confesso que só soube do esgoto na Marina quando o Rio virou sede das Olimpíadas. Para as Olimpíadas não é a nossa preocupação. Óbvio que tem que estar atento. A gente sabe que em agosto é um período seco, sem chuvas, e que com o plano de contingência da Baía vai funcionar bem. A Baía de Guanabara é um desafio para a cidade e para a região metropolitana. Não quero dizer que foi uma oportunidade perdida porque se fez muita coisa.

Segundo o governo do estado saiu de 20% de esgoto tratado para 60%. Era para chegar a 80%. Quando a gente abre a orla e tira a perimetral a gente bota a população olhando a Baía de Guanabara. Significa que nós, governos, vamos apanhar muito toda vez que se ver lixo e esgoto. O legado da Baía não está garantido, mas não é uma preocupação olímpica - disse Paes.

O sistema captado em cinco pontos de convergência está direcionado para o interceptor oceânico e terá destinação final no emissário submarino de Ipanema. A obra consistiu na construção de cerca de mil metros de galerias coletoras com diâmetros de 400 a 700 milímetros e de estação elevatória de esgotos com capacidade para 450 litros por segundo.

A construção do cinturão de esgoto da Marina da Glória deveria ter ficado pronto no fim de 2015. Segundo a Cedae, o atraso aconteceu por causa de dificuldades encontradas nas perfurações da galeria de cintura com o "tatuzinho", versão menor do Tatuzão da obra do metrô. O trabalho acabou quebrando parte da máquina. Além disso, houve conflito com a construção do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), obrigando a Cedae a refazer o projeto em uma área. As licenças, principalmente relacionadas ao trânsito, também alteraram o cronograma.

Sobre o lixo flutuante na Marina da Glória, a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) afirma que há uma base que recebe o lixo recolhido pelos dez ecobarcos monitorados no trajeto entre o bairro da Urca até o final da Zona Portuária. No mês de fevereiro, essa base recebeu cerca de 30 toneladas de lixo coletados pelos ecobarcos de um total aproximado de 81 toneladas de resíduos recolhidos por essas embarcações na Baía de Guanabara.
Procurada para comentar sobre a poluição das águas, a BR Marinas informou que não se manifesta sobre a Baía de Guanabara por se tratar de uma questão do governo do Estado do Rio de Janeiro.

Fonte: Globo Esporte
Foto: André Durão
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