Esporte: Análise: organização + atitude. São Paulo deixa Bauza dormir tranquilo

Análise: organização + atitude. São Paulo deixa Bauza dormir tranquilo



Quando contratou Edgardo Bauza, a diretoria pediu ao técnico que "ensinasse" seus atletas a jogar futebol. Taticamente eles eram crus. Apesar dos bons profissionais que passaram pelo clube nos últimos anos, as mudanças drásticas de metodologias travaram a equipe.

Pediram também os dirigentes ao Patón que emprestasse um pouco de sua postura vencedora, aguerrida, a jogadores de movimentação blasé.

O primeiro gol do São Paulo na vitória por 2 a 1 sobre o River Plate só aconteceu por um detalhe absolutamente perfeito de posicionamento somado à atitude. De Calleri? De Ganso? Não, do lateral-direito Bruno. Um coadjuvante que se postou exatamente onde deveria e fez o que tinha de fazer. Detalhes pouco perceptíveis, mas que devem fazer um técnico dormir satisfeito.

O chutaço à queima-roupa de Calleri que abriu caminho para a vitória se originou de um quase contra-ataque do River Plate, que roubou a bola na defesa e tentou sair em velocidade. Repare, na foto abaixo, onde estava Bruno para impedir que isso acontecesse.

Ele é lateral-direito, mas fechou o meio justamente para evitar uma possível transição rápida do River. É aulinha básica, de manual, mas nem sempre se vê. Muito menos a sequência do lance.

Na foto acima, ele já está recebendo de Kelvin, mais uma vez posicionado corretamente, agora com a bola em seu setor. Foram apenas cinco (!) segundos entre a interceptação de centro-esquerda e a projeção na direita para efetuar o cruzamento que originou o gol de Calleri.

Um lance emblemático numa atuação muito determinada do São Paulo, que fez quase tudo que se espera de um time grande encurralado na tabela como ainda está, precisando vencer o The Strongest, quinta-feira que vem, na altitude de La Paz.

O Tricolor apanhou, bateu, reagiu, brigou, jogou, correu. Verbos que não agradam tanto assim aos "neotáticos" do futebol, fascinados por explicações conceituais para tudo, mas essenciais em noites tão humanas de Libertadores. João Schmidt estava tão empenhado em roubar a bola que acabou expulso. Imaturidade que deve ser corrigida, mas não apaga sua ótima atuação.

Paulo Henrique Ganso fez de tudo para guardar o jogo no bolso. Sem tanta habilidade, mas com disposição e inteligência de movimentação de sobra, Hudson fez o mesmo. O São Paulo só pecou ao não ter reservas tão precisos – piorou com Alan Kardec e Centurión nos lugares de Calleri e Michel Bastos – e, assim como havia ocorrido em Buenos Aires, na insegurança de Denis, novamente responsável pelo gol do River.

Quando o São Paulo adiantou um pouco suas linhas de marcação e impediu que o River Plate trocasse passes pra lá e pra cá, ainda no início de jogo, se impôs e foi melhor. Organizado e com atitude. Como queria a diretoria quando contratou Bauza. Como quer Bauza. Nem sempre os jogadores ajudam. Dessa vez, fizeram tudo com louvor.

Fonte: Globo Esporte
Foto: Reprodução
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