Esporte: Na véspera de dia decisivo na Fifa, Blatter se defende: "Não sou demônio"

Na véspera de dia decisivo na Fifa, Blatter se defende: "Não sou demônio"


Suspenso temporariamente por 90 dias do cargo de presidente da Fifa e sob risco de ser banido do futebol, o suíço Joseph Blatter se defende como pode. Depois de mandar carta para as federações nacionais de futebol, deu entrevista, publicada em três jornais europeus nesta quarta-feira, apresentando mais argumentos contra o que considera um exagero. Na quinta, vai ser ouvido no Comitê de Ética da entidade antes da decisão final em relação a sua punição.

- Não sou um demônio, nem a Fifa é a máfia. Querem nos punir para a vida toda, a mim e ao Platini. O que fizemos? Fugimos com todo o dinheiro da Fifa? Matamos alguém? - disse Blatter aos jornais "Gazzetta dello Sport", da Itália, "Mundo Deportivo", da Espanha, e "Liberation", da França, num hotel em Zurique.

O suíço diz que não teve chance de se defender, o que pretende fazer nesta quinta-feira, e considera um absurdo o vazamento da informação para a mídia que sua punição deve ser uma multa de 600 mil francos suíços (cerca de R$ 2,93 milhões) ou o banimento do futebol. E tentou explicar o pagamento de 2 milhões de francos suíços a Platini, em 1998, o que causou a punição preventiva de ambos.

- Tudo começou ao fim da Copa do Mundo da França, em 1998. Platini disse que queria trabalhar comigo. Eu concordei, então, ele me advertiu: "Saiba que sou caro". Eu perguntei quanto queria, e me disse um milhão (de francos suíços) por ano. Eu contestei, disse que não podia pagar esta cifra e disse que daria "alguma coisa". Foi um contrato oral, um acordo entre duas pessoas que tinham confiança mútua, até que foi eleito, surpreendentemente, como membro do Comitê Executivo da Uefa e da Fifa. Ele me ajudou no "Projeto gol", para elaborar um calendário internacional. Também no "Projeto Futebol 2000" e na arbitragem. Foi um colaborador direto meu - explicou Blatter.

"Não sou o contador da Fifa. Em todo o caso, estivesse ou não nas contas da Fifa, era uma dívida que devia ser paga, e assim o fiz", Blatter, sobre o pagamento a Platini.

Sobre a demora no pagamento, feito apenas em 2011, o suíço diz que não falou mais com Platini desse pagamento, até que o francês o cobrou.
- Na minha família, temos como princípio pagar sempre as dívidas, na Fifa também. Por isso, paguei 1,8 milhões de francos suíços. Nessa época, eu, o presidente, tinha firma única. Assim, dei a ordem administrativa para que se pagasse. Nada mais - disse, rechaçando também a acusação de que o pagamento não entrou no balanço anual da entidade. - Não sou o contador da Fifa. Em todo o caso, estivesse ou não nas contas da Fifa, era uma dívida que devia ser paga, e assim o fiz.

Questionado em quem votaria como seu sucessor no pleito do dia 26 de fevereiro, se em Platini ou em algum dos outros cinco candidatos atualmente elegíveis, Blatter riu pela primeira vez durante a entrevista.
- Permita-me não responder a essa pergunta, não seria ético. Além do mais, se apoio alguém, eu o condeno (risos). Não posso, nem devo me pronunciar.

Fonte: G1
Foto: Reuters
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