Esporte: Famosa após ouro, anã halterofilista vende cosméticos para se sustentar

Famosa após ouro, anã halterofilista vende cosméticos para se sustentar



Quem vê Maria Rizonaide sorridente, posando orgulhosa com o troféu de melhor halterofilista paralímpica de 2015 imagina que o ano da atleta foi de festa. Foi um ano de conquistas, sem dúvidas, mas também de perda e decepção. Além da morte do pai, falecido 20 dias antes da histórica conquista nos Jogos Parapan-Americanos, a potiguar não viu seu feito ser revertido em benefícios em sua rotina. Em meio à alta carga de treinamentos para os Jogos de 2016, Rizonaide precisa passar horas por dia andando pelas ruas de Natal para vender cosméticos e complementar sua renda. Desde que se sagrou campeã em Toronto, a atleta não recebeu qualquer proposta de patrocínio.

Rizonaide afirma receber apenas R$ 925 de Bolsa Atleta. Como o valor não é suficiente para sustentar sua casa – ela vive de aluguel –, custear o plano de saúde e os gastos com suplementos alimentares, a halterofilista mantém o emprego de revendedora de uma das maiores empresas brasileiras do ramo da beleza.

De segunda a sábado a atleta treina na parte da manhã e, à tarde, encaixa visitas a clientes com o horário das sessões de fisioterapia. Todos os dias Rizonaide sai de casa às 6h30 da manhã carregando uma mochila lotada de produtos, com peso aproximado de 7kg, e volta apenas às 20h, quando conclui as vendas. Uma rotina longe da ideal para uma esportista de alto rendimento.

- Eu fiquei muito conhecida, e onde eu chego as pessoas falam “Olha, é a campeã de Toronto”. Dá muito orgulho. Em Toronto eu estava triste, mas Deus me deu a vitória de conquistar a primeira medalha de ouro para o Brasil. Mas apesar de ficar conhecida, o difícil é o patrocínio, não consegui. Eu trabalho muito duro para me manter no esporte. Achei que quando eu voltasse alguém ia querer um contrato comigo, mas não.

Nascida com acondroplasia, condição genética popularmente conhecida como nanismo, Rizonaide tem 1,29m de altura e ergueu 73kg no supino no Parapan, faturando o ouro da categoria até 50kg. A colombiana Nohemi Carabali (67kg) e a mexicana Padill Rodriguez (65kg) ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Mesmo sem o reconhecimento financeiro que esperava, Rizonaide se vê em uma boa condição na corrida para as Paralimpíadas de 2016.
- Eu hoje sem o esporte não seria ninguém. Só em estar aqui estou muito feliz. Mas se Deus quiser vão se abrir mais portas para mim. 2016 está aí. Não saiu ainda a convocação para o Rio de Janeiro, mas estou trabalhando muito para quem sabe ser eu a representar o país nos Jogos.

Fonte: Globo Esporte
Foto: Daniel Zappe/CPB/MPIX
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