Esporte: Novo coordenador da CBF sai da vida de empresário, mas processa clubes por comissão

Novo coordenador da CBF sai da vida de empresário, mas processa clubes por comissão



Atual coordenador de seleções da Confederação Brasileira de Futebol, cargo que assumiu na semana passada depois de abdicar da vida de empresário, Gilmar Rinaldi enfrenta imbróglios judiciais contra clubes que lhe devem por venda de atletas. O ESPN.com.br teve acesso exclusivo a um processo contra o Palmeiras e outros dois contra o Botafogo, todos da época em que o ex-goleiro ainda era agente.

"Não vejo qualquer conflito de interesses. O processo contra o Palmeiras é antigo, vem de 2012 referente a uma dívida antiga do clube com ele. É a mesma coisa um advogado que atua há 10 anos em um processo, depois passa em um concurso público para ser juiz, e não é por isso que ele vai abrir mão de receber a quantia referente a esse processo antigo. Essa é uma dívida antiga do Palmeiras com ele", disse o advogado Diogo Souza, representante de Gilmar no processo, em conversa com o ESPN.com.br.

O entrevero judicial contra o Palmeiras é recente, vem do final de maio. Procurado pela reportagem, o departamento jurídico do clube alviverde preferiu não se pronunciar sobre o tema pois sequer foi citado nos autos, o que deve acontecer nos próximos dias. Gilmar cobra a importância de R$ 292.541,61 referentes a 2% sobre a mais valia entre as operações de venda de Vagner Love do Palmeiras ao CSKA e depois do CSKA ao Flamengo.

O ESPN.com.br teve acesso a longa troca de e-mails entre o advogado Diogo Souza e o Palmeiras em 2014, todos antes de a Gilmar Marketing - empresa do atual coordenador da CBF - se cansar de tentar conseguir a quantia amigavelmente e ingressar com ação na justiça. O clube alviverde recebeu US$ 628.500,00 da venda de Love do Flamengo ao CSKA, ou 10% da mais valia da operação, avaliada em US$ 6.285.500 - 2% do valor deveria ir a Gilmar.

O ex-goleiro assumiu o cargo de coordenador de seleções da CBF há alguns dias, em decisão controversa por causa de seu passado como empresário. Gilmar, contudo, já garantiu publicamente que abriu mão da antiga profissão. Correm na justiça, por outro lado, processos referentes à sua época como intermediário de negociações entre clubes e atletas. Além do Palmeiras, o Botafogo também briga nos tribunais com o atual cartola.

"São dois processos contra o Botafogo, são anteriores, os dois de 2009. Um é sobre a contratação do atleta Gil e a outra é do Zé Carlos. Um está em fase final e o outro quase concluído. Não vejo qualquer conflito de interesses, foi um negócio antigo, 2008 ou 2007, Botafogo não pagou. Nós tentamos resolver isso amigavelmente, não recebemos a quantia referente, aí teve que ingressar na Justiça", explicou Diogo Souza, que também trabalha para Gilmar nos dois casos.

Gil, atacante ex-Corinthians, chegou ao Botafogo por empréstimo junto ao Internacional em 2008, por intermédio de seu empresário Gilmar Rinaldi. O agente, na mesma época, foi o responsável pela vinda do meia Zé Carlos ao time alvinegro, após o atleta ser contratado depois de atuar no Cerezo Osaka (JAP). O ex-goleiro não vai abrir mão das quantias a que tem direito, uma vez que as ações vêm de antes de seu atual cargo na CBF.

O clube de General Severiano, inclusive, está com 100% de suas contas bloqueadas por uma dívida de R$ 700 milhões referente a centenas de processos judiciais. Dois deles são do próprio Gilmar Rinaldi, ambos abertos quando ele ainda era agente de jogadores. Afundado em problemas econômicos, o Botafogo sofreu até penhora recente por conta dos casos e ainda tenta acordo nos despachos relativos a Gil e Zé Carlos, que correm na justiça em estágio final.

Fonte: MSN
Foto: A/D
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